Falando de Cinema

Críticas e comentários, por Henrique Farina (SP)

17 Outra Vez, nunca mais!

domingo, 14 de junho de 2009

Eu confesso que tenho um preconceito: evito filmes que o elenco seja um bando de adolescentes. Raramente erro! Em 17 Outra Vez, não foi diferente.

Vendo o treiler, você pode imaginar que seja algo como De Volta para o Futuro, ou coisa assim. Ledo engano! É daqueles filmes que quem gosta, certamente tem o CD do High School Musical e comprou o DVD de Hannah Montana: O Filme.

Vamos lá: Mike (Matthew Perry) é um homem desiludido com a vida. Separado da mulher Scarlett (Leslie Mann), ele vive com seu melhor amigo Ned Freedman (Thomas Lennon) e trabalha em uma empresa farmacêutica. Certo dia, após um encontro com um homem misterioso, Mike volta no tempo e passa a ter novamente 17 anos de idade. O jovem (Zac Efron) decide, então, reescrever sua história e mudar seu destino.

Aí você pode dizer: bem, isso é filme para a garotada! Então, me desculpem, errei de fila. E num dia que levei azar porque, em seguida, vi Delírios de Consumo de Becky Bloom (comentário abaixo). Não era meu dia!

Delírios de Consumo de Becky Bloom: engraçadinho, mas ordinário!

Insuportável! Assim eu defino Delírios de Consumo de Becky Bloom. Um enredo bobo e diálogos rápidos, cansativos e exagerados. Um ‘falatório’ de deixar qualquer um com náuseas.

Rebecca Bloomwood (Isla Fisher) é uma garota que ama fazer compras. Ao completar 25 anos consegue um emprego trabalhando como jornalista econômica em Nova York. Ela mora com a melhor amiga, Suze (Krysten Ritter), e tem compulsão por comprar, tanto que seu salário nunca é suficiente no fim do mês. Enquanto ela se esforça para conseguir pagar suas dívidas, acaba atraindo a atenção de um colega de redação.

Como comédia romântica, o filme é uma sucessão de clichês: a mocinha atrapalhada, que acaba vivendo uma mentira; a amiga da mocinha; o mocinho, interesse romântico; a inimiga perua que também está de olho no mocinho; a revelação do segredo da mocinha; a briga; e a redenção. Um filme engraçadinho, mas ordinário!

Não perca seu tempo. Esse é daqueles que logo, logo, vai passar à tarde, na Globo.

Território Restrito é comovente e realista

Até boa parte do filme, você pode não entender direito o que parece uma salada de histórias e personagens. Mas, com o decorrer de Território Restrito, você entende que são várias histórias unidas por um único tema: o dia-a-dia de estrangeiros que passam a viver nos Estados Unidos. É comovente e realista, sem falar que tem, em seu elenco, a brasileira Alice Braga.

Max Brogan (Harrison Ford) é um agente da Imigração e Fiscalização Aduaneira, em Los Angeles. Todo dia ele precisa lidar com diversas pessoas que tentam entrar nos Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Seus colegas de trabalho são seu parceiro Hamid Baraheri (Cliff Curtis), a advogada de defesa Denise Frankel (Ashley Judd) e o marido dela, Cole (Ray Liotta), que julga as solicitações feitas. Juntos eles enfrentam as questões decorrentes do senso de dever e compaixão envolvendo a migração para território norte-americano.

No meio do longa o ritmo caí bastante, seguido por uma série de diálogos meio que cansativos e exaustivos. Entretanto, o começo e o final do longa são as partes que mais emocionam o telespectador, principalmente pelo fato de nós estarmos presenciando a situação de cada personagem, alguns que seguem pelo caminho certo, outros que optam por um caminho errado e outros que tem suas vidas interrompidas pela polícia americana, e estes também não ficam isentos do destino e das dificuldades da vida.

Vale a pena conferir. Recomendo!

O Procurado deixaria qualquer 007 envergonhado

sábado, 13 de junho de 2009

Despretencioso! Gostoso para assistir entre amigos! Uma mistura legal de James Bond com Matrix. E é tudo!

O filme tem ação do começo ao fim além da presença de Angelina Jolie, que está fatal no filme e o excelente Morgam Freeman. Com cenas de tirar o fôlego (forçadas até demais). São carros voando pelo ar, um homem que atravessa correndo de um predio para o outro, enquanto mata um monte de homens, tiros com curvas, ratos explosivos e um rifle que mata qualquer um, mesmo se você estiver no raios que o parta!

Mais um filme hollywoodiano cheio de efeitos especiais com um elenco de primeira. Não estou falando que o filme é ruim. Muito pelo contrário, é um filme bom para quem curte o gênero.

Wesley Gibson (James McAvoy) é um jovem de 25 anos de idade que não vê muito sentido na vida após o misterioso assassinato do pai. Tudo muda quando Wesley conhece Fox (Angelina Jolie), uma mulher enigmática e sedutora que o contrata para uma sociedade secreta chamada de Fraternidade. O objetivo de Fox é treinar Wesley para que ele se torne um assassino da Fraterninade, mas também se vingue da morte do pai. Aos poucos, no entanto, o rapaz vai descobrindo que o perigo está mais perto do que os olhos podem ver.

Angelina Jolie está magnífica como a bela e mortal Fox. E para aqueles que gostaram de ver a moça em “Sr. e Sra. Smith“, detonando tudo, aqui você vai matar as saudades. Morgam Freeman, como sempre, sensacional. Não tem nem como falar mal dele.

Lembrando que “O Procurado” é uma adaptação para os cinemas do HQ “Wanted”, de Mark Millar e J.G. Jones, com algumas modificações.

Evocando Espíritos é difícil de engolir como fato verídico

Se você tiver direito a pagar meio ingresso nos cinemas, pode ir. Caso contrário, o investimento não vale! Mesmo com o apelo de ser baseado em uma história real (difícil de engolir), não vale mesmo!

Mais um filme de espíritos. Então, vamos la! No relato de Sara Campbell, seu filho Matt Campbell é diagnosticado com câncer e, por isso, toda a família teve que se mudar para uma casa que se localizava próxima ao local de tratamento do rapaz. Com o tempo, piora o estado de saúde de Matt, aparecem sintomas estranhos e alucinações, o que preocupa a todos. Como se não bastasse, eles descobrem que a nova casa guardava muitos segredos do passado além de ser um centro de trabalhos espíritas.

Durante os 92 minutos desse terror, a intenção é de o tempo todo causar sustos, seja por um jogo de imagens, pelo forte efeito sonoro, ou por esses dois argumentos juntos. Algumas cenas são muito pesadas por mostrarem uma parte do corpo sendo decepada, isso que já virou marca de alguns filmes do gênero como “Jogos Mortais” e causa uma grande reação no público que, muitas vezes, prefere nem ver a cena. Ao final do longa, ocorrem reviravoltas e exageros, o que torna um tanto confuso e difícil de aceitar.

O fato real que virou filme poderia ter ficado apenas na vida real, já que no cinema tornou-se uma história pouco crível, cheia de clichês e falhas. Mas é importante ser dito que, embora tenha muitos erros, o filme consegue assustar, perturbar e chocar. E como a própria narradora do longa diz: “considerem-se avisados”.

Um Ato de Liberdade lança luz sobre um grupo de sobreviventes que até hoje não foi retratado

Ouvi comentários de pessoas que não suportaram assistir Um Ato de Liberdade por mais que 30 minutos, por achar monótono. Outros, o decifram como uma glorificação de Tuvia Bielski ao ponto de ser considerado um segundo Moisés. Outros ainda, como um documento histórico sobre o Holocausto e suas conseqüências e que lança luz sobre um grupo de sobreviventes que até hoje não foi retratado. Eu fico com esta última definição.

Claro que se você for ao cinema esperando algo como Caçadores da Arca Perdida, vai se decepcionar. Mas, se for com o mesmo espírito que foi ver A Lista de Schindler, certamente vai gostar.

Na trama, um grupo começa apenas com Tuvia (Craig) e seus irmãos Zus, Asael e Aron. Eles conseguiram escapar do massacre promovido pela polícia local a mando dos alemães nazistas, e se infiltraram em uma floresta em busca de segurança. Lá, acabam encontrando outros judeus fugidos, e o grupo vai crescendo. Ao mesmo tempo, Tuvia vai se tornando o líder daquelas pessoas e, logo, torna-se uma figura quase mística. Enquanto isso, eles pegam em armas para conseguir comida e vários conflitos internos acontecem, e a saúde de Tuvia vai se deteriorando. O grupo se alia a uma brigada do exército soviético, já que tem um inimigo em comum, as brigas de interesses aumentam mais ainda quando Zus e Tuvia divergem sobre a condução dos judeus e se separam.

Lembre-se que filmes sobre o Holocausto estão em alta! Coincidência ou não, o tema aparece ‘de balde’ nas telonas. Vale lembrar também que Um Ato de Liberdade (gravado na Lituânia), recebeu uma indicação ao Oscar e outra ao Globo de Ouro pela trilha sonora (de James Newton).

Jogo Entre Ladrões é imprevisível do começo ao fim

A crítica especializada caiu de pau! Mas, com todo o respeito, o que esperar de uma crítica que recomenda O Equilibrista?  Se bem que falta-lhe muito para se tornar um Onze Homens e Um Segredo, mas nem tudo está perdido.

Jogo Entre Ladrões já começa valendo por Morgan Freeman. Antonio Banderas, há quem goste mais que eu. Mas, isso não vem ao caso.

Banderas é Gaby, um ladrão de Miami que se muda para Nova York, onde, por acaso, conhece Keith Ripley (Freeman) durante um golpe dentro do metrô. Ripley precisa de um parceiro como Gaby para realizar seu assalto mais ambicioso: dois ovos Fabergé, tesouros da joalheria russa do início do século 20, fabricados em 1917 e guardados em um cofre da mais alta tecnologia. Com eles, saldaria a dívida de seu ex-parceiro, assassinado pela máfia russa. Além disso, há décadas o veterano é perseguido por um tenente do FBI, interpretado por Robert Forster (”Jackie Brown”).

Meio clichê? Tudo bem. Temos lá o policial que é impedido de investigar o caso e é obcecado pelo ladrão, a mocinha que torna-se um impedimento a certas ações, as reviravoltas mirabolantes e, principalmente, um final surpreendente. O bom de “Jogo Entre Ladrões” é que o final surpreendente, realmente surpreende, mesmo que você já espere por isso.

Me perdoe, mas gostei de “Fim dos Tempos”

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Talvez você nem continue lendo este Blog por eu ter cometido esta blasfêmia, mas gostei de Fim dos Tempos. Calma! Pode ser que eu estivesse em um bom dia (daqueles que até Anjos da Noite 3 vai bem), ou seja uma inexplicável demonstração de respeito ao diretor, M. Night Shyamalan (O Sexto Sentido e A Dama da Água).

O filme começa em Nova York, uma das cidades mais populosas do mundo. No Central Park, uma mulher aparentemente confusa resolve se matar com um enfeite de cabelo. Num prédio em construção, os operários começam a pular para a morte, um atrás do outro. Um guarda, em meio ao trânsito carregado, puxa um revólver e estoura os miolos. Logo é identificado que o motivo dos suicídios se deve a uma toxina que atua sobre o sistema neurológico causando paralisia, confusão mental e bloqueio do instinto de auto-preservação. As autoridades norte-americanas suspeitam de um ataque terrorista e a preocupação aumenta a medida que esses acontecimentos estranhos se multiplicam e as notícias sobre os mesmos se espalham.

Quando for assistir, faça como eu: vá esperando uma bomba! (os amigos Guilherme e Graciana odiaram!). No final, também pode achar que não é tão ruim, assim. Tem ação do começo ao fim. Aliás, diga-se de passagem, o conceito da trama é bom (a resposta da natureza à sua devastação). Infelizmente, foi mal explorado.

Os efeitos são legais, prendem a atenção. Faz o seguinte: se você estiver sem paciência de esperar e a fila de Fim dos Tempos for a menor, tente! Ou, aguarde um pouco. Logo, vai passar na Tela Quente.

“De Repente, Califórina” é “O Segredo de Brokeback Mountain”, versão surf

Se você gostou de O Segredo de Brokeback Mountain e a história de amor entre dois cowboys, certamente vai gostar da versão surfista, em De Repente, California. Aliás, o título nacional não tem nada a ver com o título original, Shelter, e muito pouco com o filme, em si. A não ser que se trate da história de amor entre dois surfistas.

Primeiro filme a chegar ao Brasil pelo Filmes do Mix, selo de distribuição especializado no nicho LGBT, o romance pode até ter algum apelo dentro de seu público-alvo, carente de produções que se destinem a ele (e que se mostra, cada vez mais, um mercado consumidor a se respeitar). No entanto, como cinema, sua relevância é quase nenhuma.

A trama é superficial. Não fosse o fato do romance envolver dois homens, um dos quais desconhecia seu interesse pelo mesmo sexo, De Repente California não traz qualquer novidade ao típico e estruturado “homem conhece mulher - casal se apaixona - obstáculo surge entre eles - clímax de superação” conhecidíssimo do gênero.

A história acompanha o jovem Zach (Trevor Wright), artista urbano que coloca seus sonhos de lado para ajudar a família. Sua irmã, Jeanne (Tina Holmes), é mãe solteira de Cody (Jackson Wurth), criança que tem em Zach sua única figura paterna. A vida do rapaz muda quando surge o escritor Shaun (Brad Rowe) e a amizade casual que surge, inicialmente motivada pelo surf, se desdobra em intimidade.

Talvez um final mais marcante ou inesperado pudesse dar Shelter à luz. Mas, não teve. Tudo óbvio, morno e cumprindo seu papel.

Por mais que o filme traga algumas lições de tolerância e responsabilidade, superficial como é, jamais conseguirá deixar a esfera para a qual foi realizado. E, convenhamos, não é esse o público que precisa ser convencido que ”não há nada de errado com isso”, como diria Jerry Seinfeld.

“Se eu Fosse Você 2″ deveria começar de trás para frente

Quase todo filme é meio bobinho no começo e melhor no final, certo? Por isso, eu penso que Se eu Fosse Você 2 deveria começar no final. E terminar no começo (rsrsrsrs).

Talvez porque, como Michael Jackson depois do álbum Thriller, dar continuidade a um sucesso seja mais difícil do que começar do zero. Tomara que isto não aconteça com Os Normais 2, que vem aí.

Achei o filme razoavelmente interessante, até que se aproxime do fim. Bobo e aquase sem sentido! Passa a sensação que terminou só porque tudo tem que terminar, seja lá como for.

Eu diria que Daniel Filho tivesse um compromisso inadiável quando estava para terminar o longa. Por isso, teve pressa. Deveria ter ido dormir, descansar e esperar que ideias melhores florescessem.

O casal Cláudio e Helena, interpretado por Tony Ramos e Glória Pires, volta a viver uma troca de papéis. Depois de alguns anos da primeira troca, os conflitos constantes voltam a prejudicar a relação e o casal resolve se separar. Para tornar a situação ainda mais complicada, eles descobrem que a filha, Bia, agora com 18 anos, está grávida e vai se casar.

Quando decidem formalizar a separação, o destino intervém na situação e, pela segunda vez, trocam de corpos. Familiarizados com a situação, decidem sumir durante quatro dias - tempo que durou o fenômeno da última vez. Porém, a tentativa não dá certo. Quando chega o quarto dia, eles continuam com as personalidades trocadas. Então, Claudio e Helena entram em desespero e começam a buscar o motivo que não favoreceu a destroca.

Contrariados, os pais precisam continuar juntos, um no corpo do outro, para poderem organizar a festa de casamento da filha e, assim, viverem várias confusões com o genro, os ricos sogros e os amigos dos noivos.

Pra terminar este texto (sem a provável pressa que o Daniel Filho teve ao terminar Se eu Fosse Você 2), eu diria que piada repetida é a coisa mais chata desse mundo… e sendo preconceituosa ainda, é de matar qualquer esperança que a humanidade tenha jeito um dia.

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